Tá aí uma coisa que me assusta! Como educar os filhos.
Eu sou daquelas pessoas intrometidas, que sempre disse: “Deus me livre meu filho fazendo isso”, eu sou contra isso, vou fazer daquele jeito, etc etc etc ... Para falar a verdade acho que todo mundo é um pouco assim antes e ser mãe, o que não significa que não permaneça quando se torna uma.
Bom, partindo do princípio que, segundo a minha teoria, ter filhos é um ato de egoísmo, e agora to aqui escrevendo para o meu, vocês tiram que, com a gravidez, grande parte dos meus achismos foram por água abaixo e é isso que me faz compartilhar dos meus medos com vocês.
Primeiro vou explicar minha teoria do egoísmo porque quando digo isso, as pessoas tendem a achar que eu sou uma sem coração que não valoriza a reprodução humana e os mandamentos de Deus.
A minha teoria parte do princípio de que o mundo está cheio demais. Tem gente demais espalhada pelas ruas e pelos orfanatos, tem uma fila de crianças e adolescentes esperando adoção e mães que não colocaram para adotar mas que largam por aí em caçambas ou pedindo dinheiro por elas nas ruas.
Minha teoria vem da falta de água, do consumismo sem limites, da utilização desenfreada de agrotóxicos e outros componentes químicos para produzir cada vez mais alimentos sem nenhuma qualidade para alimentar esse tanto de gente. Do consumo inconsequente de plástico e papel que acabam com nossos recursos naturais.
Mas, a parte disso tudo, minha teoria vem da EXPECTATIVA que cada vez mais fazem das crianças, verdadeiros enviados do capiroto.
Antes, era quase condição de respeito social casar, ter filhos e uma família de comercial de margarina. Por isso os filhos, por serem uma “obrigação” dos pais, eram bem melhores criados. Com limites e respeito aos mais velhos. Hoje não ter filhos passou a ser uma decisão “mais inteligente”. O mundo está de cabeça pra baixo, as grandes cidades violentas e o custo de vida a preço de ouro. Então, só tem filho “quem realmente quer” e é aí que entra a superproteção e o egoísmo do qual me refiro.
A maioria dos pais que sonham em ter seus filhos não querem saber desses números e nem no quanto de lixo esse bebe vai produzir. O importante é viver o sonho da barriga e gerar bebês com seus narizinhos e com olhos que você identifique ser parecido com o pai ou com a mãe. E aí colocam naquela pessoa os seus próprios sonhos, as suas próprias expectativas e principalmente, os planos de vida que, claro, tem que ser condizentes com as verdades dos pais. Aquele bebê, para quem é cético, não pediu pra nascer. Mas os pais quiseram te-lo e agora, o culpam por não querer estudar, ou por escolherem profissões alternativas, ou falam que eles não morarão fora ou gostarão de pessoas do mesmo sexo. Que tem que respeitar o próximo mas não levam as crianças pra ver gente passando fome porque aquilo é chocante demais. E aí impõem limites de visão a seres que são criados em verdadeiros casulos e totalmente despreparados pra selva que é aqui fora.
Quando eu digo tudo isso, que pode parecer cruel, agora, me incluo nessa lista. Porque sempre achei que filho tem que se libertar, ir morar sozinho, se virar e encarar suas próprias frustrações. E critico meus amigos que não cortam o cordão umbilical. Ao passo que agora também tenho um serzinho dentro de mim que é claro, vou querer proteger com unhas e dentes.
Pois bem... Paralelo a minha teoria de gerar um filho, existe o fato de que agora aquela criança está ali e precisa ser educada para viver em sociedade como pessoa, não como bicho.
Abre aspas: Vejam bem, quando falo sobre essa teoria não quero, nem de longe, julgar quem tem esse sonho. Cada um com suas verdade. É uma teoria minha, que não só ninguém é obrigado a concordar como eu mesma furei quando engravidei. O meu ponto aqui é o pós!
E é aí que entra o meu tema de hoje, amigos.
Como educar uma pessoa?!
Eu escuto mães e pais falando coisas do tipo:
“Deus me livre esse negócio de macumba. Sou uma pessoa de Deus”
“É ruim né filhão. Você é HOMEM! Vai comer geral”
“Não roube a borracha do amiguinho!” Ao mesmo passo que a criança escuta “Amor vamos colocar gatoNet?”
“Sertanejo é um lixo”
“Equitação é esporte de rico”
E postam fotos das barrigas de grávida em campanha contra o aborto enquanto defendem que a mulher é dona do próprio corpo.
Desculpem, mas não consigo entender!
Sei que muitas coisas vão no automático e não estou dizendo que não cometerei erros. Mas é que queria taaanto não ser contraditória nesse tanto.
Eu tenho visto coisas absurdas hoje em dia. As mães se culpam por terem que trabalhar e criam filhos mimados e que não respeitam ninguém. Quem manda na casa é a vontade da criança e toda família gira em torno daquele serzinho que cresce achando que suas vontades são leis. Mas essa pessoa vai para uma sociedade injusta e cruel e quando chega nos grupos de amigos, sofre bulling (agora td é bulling e ninguém vai saber se defender em pouco tempo) e culpa a professora por suas notas baixas na maior cara de pau e com o apoio dos pais. E reprime os pais na frente de quem for e se jogam no chão se não forem contemplados com um doce ou um brinquedo na hora que querem.
Outro dia vi uma mãe no metro que ficou em pé porque a criança estava muito cansada e não queria sentar no colo da mãe. Queria mesmo era ir sozinha. A mãe, morrendo de vergonha do esporro que levou do filho, se levantou e o fez feliz com um “Tá bom!”
HEIM?! (Sério, acho que me perdi!).
Eu queria mesmo era criar meu filho ouvindo música clássica e funk, e quero poder leva-lo na favela não porque é Cult, mas para ele ver as diferenças sociais e tenha noção da realidade. Eu quero que meu filho tenha acesso a uma boa escola, mas que tenha amigos de todas as outras e que ele possa ir na casa dos amigos e vice versa. Eu não quero que seja um crime colocar a criança de castigo nem que seja absurdo deixar ele levar uma hora pra comer porque o deixei comer sozinho.
Quero que o meu filho saiba que tem que respeitar os avós, mesmo que eles estejam falando algo que pareça insano. Que me chame e converse sobre o que acha errado e não que me aponte o que fazer. Que me respeite sem ter medo de mim e me compartilhe comigo os seus medos.
Deus me livre ter um filho que chegue na casa de uma pessoa mexendo em tudo ou que toda minha roda de amigos tenha que parar de falar porque a criança parou no meio e deu um grito clamando por atenção.
Quero uma pessoa que entenda naturalmente que o amor é livre e que temos que amarmos uns aos outros e que isso pode acontecer entre homens e mulheres, dois homens, duas mulheres, mais pessoas...
Meu filho será batizado em duas religiões e poderá ir em todas as outras que quiser.
Seria hipocrisia dizer que ele não será influenciado a gostar de samba, Flamengo e praia. Vai ser natural porque é o que a família dele gosta. Mas... fazer o que se ele torcer pelo Vasco? (Favor não influenciar isso, Bruna Marques e Biazuda!rs)
Meu filho será terminantemente proibido de responder os professores, mesmo que todos os amigos tenham liberdade para faze-lo. Nem pensar em furar fila ou pegar sem pedir. Isso é coisa que adultos sem educação fazem.
Palavrão não é engraçadinho. Nem mostrar dedo ou segurar o pintinho. Menina? Nem pensar em roupa de adulto ou coisas apertadinhas As pessoas são loucas e estão soltas por aí!
Queria poder dar pro meu filho a oportunidade de colocar a mão na terra que se planta, conhecer os bichos de verdade e não só pela TV. Ir a roça e saber de onde vem o leite, ver uma nascente de água na cachoeira e perceber que a água não "nasce quente", que aprenda ingles e outras línguas mas que se sinta a vontade e saiba de comportar em qualquer tipo de ambiente.
Tudo isso é o que eu quero. Mas... e aí, o que eu consigo?
O que dá pra fazer com o pouco tempo que nos resta nessa vida corrida?
Como ensinar a ser simples numa cidade que tem que se ter ar condicionado no carro para ter segurança e não se pode mais brincar na rua?
Como vou ensinar meu filho a não julgar se uma pessoa apontar uma arma para a gente?
Será que vou ficar na neurose de deixar ele tomar banho de chuva com medo de se resfriar? Ou aprender a andar de bicicleta sem rodinha pra não se machucar?
Tão difícil pensar na educação...
Eu tenho lido muito e pesquisado teorias. Sei que cada educação é única e que não tem fórmula. Instinto sempre será um grande aliado. Mas, ainda assim, princípios básicos precisam ser seguidos e não tenho vergonha de recorrer à palavras de profissionais ou de outros pais para saber como aplica-los. Mas, minha dúvida é... e na hora da prática?!
Mamães, o que me dizem? Vamos trocar figurinhas?
Amiga!!!
ResponderExcluirSimplesmente tente passar da melhor forma aquilo que seus pais te passaram!E não se grile!Você sera uma ótima mae!
Bjos
Thais