terça-feira, 10 de março de 2015

A descoberta da sua chegada!

((( E foi assim... Escrito por mim como método de desestressar a tempos atras )))

NÃO! Ah não! Ah não! Ah não! Ah não!

Era o que eu repetia incessantemente na minha cabeça quando li o resultado do exame lá no hospital, que eu tinha ido achando que estava com alguma infecção.rs Ai meu Deus. Positivo! Mas como? Que dia? Não me lembro de ter piscado sem perceber.
Mas sim! Era positivo. E uma ultra não conseguiu me aliviar com o resultado contrário.

Ainda era cedo para ver o embrião, então tive que esperar por 15 dias para repetir o exame e ter certeza de que tinha um embrião se desenvolvendo ali. 15 angustiantes dias se passaram e acordei às 7h da manhã (só faço isso por milagre, obrigação ou, nesse caso, desespero). As minhas orações por uma calcinha manchada de sangue não foram atendidas nesse intervalo e lá fui eu com a certeza de que o resultado era: “olha, sinto muito, mas o feto não se desenvolveu”. Mas não, eu deitei para uma ultra e....... “tum Tum. Tum Tum. Tum Tum.” Ouvi o coração daquele caroçinho de feijão que eu mal conseguia identificar através do aparelho de ultra.

Ah não! Ah não! Ah não! Ah não! Ah não!

Repetia eu para mim mesma, sem deixar a médica ouvir, como quem quer dizer: “Tô ferrada!”
E estou mesmo... mas vc lá ”...Tum Tum. Tum Tum. Tum Tum.”

Não tenho como negar, ouvir o coração fez com que eu quase caísse da maca onde me colocaram. Que sensação louca! Eu comecei a pensar em como engravidar era tão louco e tão longe dos meus planos. Hoje, escrevendo isso, já nem acho tão longe assim. Já to com o pé no 3.2 né?! Sempre disse q seria mãe antes dos 35. O problema é: tenho agora ZERO estrutura para colocar uma criança no mundo.
Eu e o pai do baby terminamos a pouco, não tenho um emprego fixo, meu trabalho é freelancer e estou vendendo meu ap pra que outro sonho seja realizado. Puts!
Não teve como, nesse momento, pensar em qualquer situação acalentadora. Eu só pensava: Ah não! Ah não! Ah não! Ah não!

Meu pai vai me matar! Eu sempre esqueço que sou adulta quando faço qualquer coisa que acho que meu pai vai me matar! A essas alturas, Renata já estava em CÓLICAS esperando eu dar notícias. Ela estava acompanhando meu desespero desde o tal “positivo”. Eu só mandei uma mensagem pra ela: Fudeu!
Saí do hospital desnorteada. Tinha visita em casa e eu tinha que trabalhar fazendo cara de paisagem. Fui pra casa. Vesti branco e o meu sorriso e trabalhei por 17 horas naquele dia!

Ah não! Ah não! Ah não! Ah não!

Era só o que se passava na minha cabeça. Todas as coisas que uma mulher grávida e desesperada na minha situação pensa passou na minha cabeça. Mas aí o tempo foi passando, e os seus sinais GRITANDO em mim. Montei um grupo de whats app com minhas amigas pra falar do meu desespero. Eu estava surtando! Eu, doida pra elas falarem o que eu queria ouvir, e elas: “Luka, sossega. Tudo vai se ajustar.”
As doidas fizeram uma corrente de oração com um monte de gente que eu não conheço e em pouco tempo tinham freiras até de fora do país rezando pela minha decisão e pela vida daquele feijaozinho dentro de mim. Enquanto isso, desabafafa meu desespero com mais um amigo. O Vítor. Que quando eu contei falou logo: “Que foda! Vou ser titio!”

Eu não estava conseguindo entender de onde aquelas pessoas estavam tirando tanta animação e o jeito mais fácil pra me convencer disso foi culpando-os por não ser eles na minha situação. Só ficava repetindo: não tenho emprego, meu mercado de trabalho é uma merda, se tem pouco freela agora grávida vai ser pior, o pai tmb não tem garantia de nada, eu sozinha como sanduiche mas e com uma criança?, vou colocar meu filho na educação publica? morar em Cabo Frio? o que vou fazer?! Eram sempre as mesmas perguntas e afirmações, se repetindo na minha cabeça em looping, cada vez em uma ordem. E eu só ouvia: “Calma... as coisas vão se acertar”.

Enquanto meus olhos ardiam de tantos dias passando as noites em claro e aos prantos; liguei pro meu oráculo. Sabia que estava ferrada. Mas não tem como, meu irmão é SEMPRE meu porto seguro. Naquele dia, ele não foi. Ficou por uma hora falando ininterruptamente e me culpando e me chamando de irresponsável até pelos nomes que eu tinha escolhido. Mais uns 3 ou 4 dias sem mal comer ou dormir!

Ah não! Ah não! Ah não! Ah não!

O que é que eu vou fazer?! E assim eu dormi e acordei por alguns dias.

Hoje completam 2 semanas que ouvi seu coração e que o meu, só vive saindo pela boca. Uma mistura de “Até que enfim serei mãe” com “Que mole, Luka!”.
Ainda não tive coragem de contar pros meus pais.
Tá começando a melhor época do ano, o Carnaval, e eu estou inventando trocentas desculpas pras pessoas não me perturbarem pra sair. NINGUÉM em sã consciência no mundo acreditaria que eu não quero pular carnaval!

Nunca me senti tão sozinha, tão pequena, tão inútil. Sempre sonhei que seria mãe em uma família estruturada, que seria como na minha casa, que eu estaria bem profissionalmente e que meus filhos estudariam em bons colégios e teriam muitas atividades extra classes. Eu jurava que teria o parto numa boa maternidade onde me maquiariam e fariam minhas unhas para sair bem nas fotos e que contar para minha família seria um momento de felicidade e de emoção. Não de desespero. Mas não... foi tudo exatamente ao contrario. Mas já se passaram duas semanas que eu soube e hoje você está comigo a 9 semanas... O que é que eu vou fazer?!

Durmo e, como se nada fosse capaz de me fazer fraca, acordei MÃE.

Liguei denovo pro Gu e disse: Bom terei! (E ele rezou para que ficasse rico e pudesse me ajudar)
Entrei no grupo e disse: Bom, terei! (e pude ouvir daqui os gritos de felicidade)
Avisei para a Renata e para o Vitor: Terei! (e nunca me senti tão acolhida)
Liguei pros meus pais e disse: .................. “Desculpa!” (é que aí já não dava pra meter essa marra toda!rs).

E cá estamos nós. Agora somos eu e você.
Fomos pro chuveiro conversar e dei a primeira “chamada” na barriga: “É bom mexer seus pauzinhos no céu, baby. Teremos que nos esforçar nesses meses de barrigão pra mamãe aqui levantar uma grana pra quando você chegar ok?! Tomara que você seja raçudo e guerreiro como eu. Assim sei que vai aguentar o tranco de boas produções enquanto tiver aqui dentro! Como diz meu pai... Vamos nessa! Eu e você, você e eu! E que minha mãe Oxum (que não deixou você ir embora por nada), nos proteja e nos abençoe. Com certeza, o céu tem grandes planos pra nós!”

E foi assim...

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